Na Luta pela Escola Pública

Este blog pretende criar um espaço para informações e discussões sobre Escola Pública na Região dos Lagos, com destaque para o município de Cabo Frio.

O nome “Pó de Giz” é tomado, por empréstimo, do antigo time de futebol dos professores do Colégio Municipal Rui Barbosa. Um colégio reconhecido por sua luta pela educação pública de qualidade. Um lugar onde fervilha a discussão educacional, política e social. Colégio que contribui de maneira significativa na formação de seus alunos, lugar onde se trabalha com o sentido do coletivo.

O " Pó de Giz" é uma singela homenagem a essa escola que tem um "pequeno" espaço educacional, mas corajoso e enorme lugar de formação cidadã.


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Erro pedagógico com a Avaliação Diagnóstica chamada Saerjinho:


Na portaria SEEDUC/SUGEN No 316 de 23 de novembro de 2012, vem no 5º parágrafo do primeiro capítulo o seguinte:

<<$ 5º — A Avaliação Diagnóstica do Processo Ensino/Aprendizagem — Saerjinho, aplicada nos níveis de ensino, anos/séries e bimestres definidos pela SEEDUC, é um dos instrumentos obrigatórios da avaliação, com valor/nota definido(a) pelo Professor, e deverá ser registrada no Diário de Classe ou outro instrumento indicado pela SEEDUC, bem como no sistema Eletrônico de Registro Escolar. >>

A portaria acima está cometendo um erro pedagógico, para atender interesses políticos de implementação da Meritocracia. 


Como assim erro pedagógico e interesse político?

O interesse político é de implementar a Meritocracia por meio de um sistema de bônus, dado aos professores de uma dada escola que atendam aos critérios de medição de bom rendimento dos profissionais de educação perante a SEEDUC. Faz parte dos principais critérios de medição a Avaliação Diagnóstica Externa chamada Saerjinho (que é a versão Saerj para o primeiro, segundo e terceiro bimestres). Ou seja, o professor é avaliado tendo como base os acertos dos alunos nessa avaliação diagnóstica, que contempla o Currículo Mínimo. Esse é um critério justo de avaliação do desempenho do professor? Não tem demonstrado ser, pois alunos que não tiveram professores em dado momento são avaliados do mesmo modo que alunos que tiveram sempre professores apresentando conteúdos a eles. Além do que, um professor pode se dedicar de forma excepcional para oferecer conteúdo atrasado a seus alunos, para que tenham alguma condição de acompanhar o Currículo Mínimo, e esse mesmo professor dedicado pode ser subavaliado, em função dos poucos acertos de seu aluno. Portanto os critérios são injustos, e bônus não é aumento salarial, e pode não ser oferecido, já que os critérios de avaliação contemplam fatores que nada têm a ver com o desempenho do professor.

O erro pedagógico se dá, quando uma avaliação diagnóstica (que ainda é externa aos trabalhos do professor) é usada como avaliação somativa. Toda avaliação pode servir de avaliação diagnóstica, mas a avaliação diagnóstica propriamente dita não deveria servir como avaliação somativa, que é formada, no estado do Rio de Janeiro, pelos três instrumentos de avaliação bimestrais, que tem como objetivo atribuir uma nota de zero a dez sobre o rendimento do aluno em seu processo de ensino-aprendizagem. 


A avaliação diagnóstica não precisa contemplar conhecimentos efetivamente dados em sala de aula, pois ela visa sondar conhecimentos para que o professor se planeje melhor como será a ênfase de suas aulas. No caso de uma avaliação externa diagnóstica, essa sondagem interessa mais a quem realiza a prova, e vai servir de base para os planejamentos da SEEDUC. A avaliação Saerj ou Saerjinho, que estão sendo aplicadas, apesar de contemplar o Currículo Mínimo a ser dado pelos professores, NÃO CONTEMPLA OS CONTEÚDOS EFETIVAMENTE DADOS PELOS PROFESSORRES EM SALA A DADA TURMA, LOGO NÃO É DIDATICAMENTE CORRETO USAR ESSA NOTA COMO AVALIAÇÃO SOMATIVA (nem de um ou dois ou três pontos ou mais). 


Erro pedagógico, portanto. O que fazem direções de escola e professores para evitar que seus alunos sejam prejudicados por essa nota? ARREDONDAM PARA CIMA O VALOR RECEBIDO PELO ALUNO nessa avaliação diagnóstica. Em outras palavras: NA PRÁTICA... esse conceito numérico dado ao aluno é alterado ou o professor usa outra avaliação em substituição a essa (mesmo que a nota no Saerjinho seja lançada no diário de classe) para não prejudicar o aluno, ou para garantir um índice alto de aprovação, como assim exige a SEEDUC PARA O RECEBIMENTO DOS BÔNUS, e para a avaliação de seus diretores.

Fica a pergunta: É justo criar uma portaria para impor um procedimento antipedagógico, com o claro intuito de legitimar uma forma de avaliação do corpo docente de uma escola, ainda que essa forma de avaliação possua falhas em seus critérios de avaliação em relação a esses professores?

Pessoalmente, entendo que o sistema de ensino público tem o direito de realizar avaliações diagnósticas, mas não deveria vinculá-las ao rendimento do professor (não, ao menos, da forma como tem sido feita), nem poderia estar OBRIGANDO o uso dessa nota como avaliação somativa, criando leis que vão contra princípios pedagógicos. 


Qual seria a melhor maneira de agir a favor de uma atitude pedagógica correta? Alertar sobre o erro acima aos demais colegas professores, e, em especial, reclamar nos órgãos de justiça competentes sobre esse erro. Nesse caso, eu entendo que o Ministério Público é o caminho viável.


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