Na Luta pela Escola Pública

Este blog pretende criar um espaço para informações e discussões sobre Escola Pública na Região dos Lagos, com destaque para o município de Cabo Frio.

O nome “Pó de Giz” é tomado, por empréstimo, do antigo time de futebol dos professores do Colégio Municipal Rui Barbosa. Um colégio reconhecido por sua luta pela educação pública de qualidade. Um lugar onde fervilha a discussão educacional, política e social. Colégio que contribui de maneira significativa na formação de seus alunos, lugar onde se trabalha com o sentido do coletivo.

O " Pó de Giz" é uma singela homenagem a essa escola que tem um "pequeno" espaço educacional, mas corajoso e enorme lugar de formação cidadã.


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

ESTADO VAI TRANSFERIR 76 ESCOLAS COMPARTILHADAS PARA PREFEITURA DO RIO

O secretário de Estado de Educação, Wilson Risolia, disse, durante audiência pública da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), realizada nesta quarta-feira (09/11), que das 268 escolas compartilhadas no estado, ou seja, aquelas em que estado e prefeitura usam o mesmo prédio para ensinos diferentes (fundamental e médio), 76 unidades divididas com a Prefeitura do Rio são de ensino exclusivamente fundamental e devem ser transferidas para o Executivo municipal. Estas unidades, porém, só serão repassadas caso a administração possa receber, com segurança, os alunos.

“Gostaríamos que a prefeitura assumisse essas 76 escolas no próximo ano, mas temos que ter muita segurança ao fazer essa transferência. No momento, 48 unidades de ensino estão sendo negociadas para que, no começo do próximo ano letivo, já estejam sendo geridas pela Prefeitura do Rio, pois só dependemos do aval do prefeito Eduardo Paes”, garantiu Risolia. Presidente da comissão, o deputado Comte Bittencourt (PPS) mostrou-se favorável a esta mudança, mas ressaltou a necessidade de um olhar diferenciado para cada escola.

“Não sou contra a reorganização que a Secretaria de Estado de Educação está realizando nas escolas compartilhadas, mas acredito que cada colégio deve receber um olhar diferenciado, porque o que nos preocupa é o deslocamento físico desses alunos. Temos que considerar a dificuldade do deslocamento, a distância e a situação das áreas que têm problemas com conflitos sociais, para que a gente não aumente um problema que já enfrentamos hoje: a evasão escolar”, destacou o parlamentar.

Risolia lembrou ainda que, no ranking feito pela Seeduc, as escolas da rede estadual de ensino com pior desempenho são as compartilhadas noturnas que se encontram na capital. “A relação entre município e estado é muito boa. Temos mantido um diálogo permanente com a secretária Municipal de Educação do Rio, Cláudia Costin, para que o processo seja feito sem traumas, tanto para professores quanto para os alunos”, acrescentou Risolia, informando que, no interior, 45 escolas são compartilhadas e continuarão funcionando dessa forma.

Outro assunto discutido durante a reunião foi a situação dos Centros de Estudos de Educação de Jovens e Adultos (Ceja). Há uma proposta para que, através de uma parceria com a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, as unidades passem a se chamar Ceja Profissional, visando a fornecer ensino profissionalizante a estudantes da rede estadual de ensino. Essas unidades terão, na modalidade semipresencial, os ensinos fundamental e médio, oferecidos pela Fundação Centro de Ciências e Educação Superior à Distância do Estado do Rio (Cecierj), e cursos profissionalizantes da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec).

Para Bittencourt, essa mudança tem que ser definida como política de estado através de uma lei e não por um decreto. “Não queremos que essa mudança seja feita através de um decreto e sim por lei, para que não seja só uma política de Governo, mas uma política de estado. Se isso for o melhor para a educação fluminense, que seja através de uma norma definitiva”, disse o presidente da comissão.

O secretário esclareceu que pretende unir forças. “Essa mudança foi pensada a partir de visitas a essas unidades e do diagnóstico que fizemos com os próprios alunos, principalmente do interior, pois muitos não têm acesso ao ensino profissionalizante. Não podemos esquecer o momento que o Rio está vivendo, com muitas empresas se instalando no interior e, consequentemente, buscando mão-de-obra qualificada”, lembrou Risolia.

Os deputados Inês Pandeló, Robson Leite e Gilberto Palmares, do PT, Gustavo Tutuca (PSB), Andreia Busatto (PDT), e Claise Maria Zito e o líder do Governo, André Corrêa, ambos do PSD, além de representantes do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) e da União dos Professores Públicos do Estado (Uppes), também participaram da audiência.

(texto de Vanessa Schumacker)

Comunicação Social da Alerj


Sara Simões (36 anos) professora de língua inglesa e literatura na rede estadual do Rio de Janeiro desde 1998, lança na próxima sexta-feira, o livro: ASSÉDIO MORAL: QUANDO A DIREÇÃO ESCOLAR É UM OBSTÁCULO À PRÁTICA DOCENTE NA REDE PÚBLICA ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO.

Segundo a autora, a ideia surgiu, quando ao se tornar vítima de assédio moral, decidiu se transferir da escola em que trabalhava e encontrou uma fila de professores que também procuravam remoção pelo mesmo motivo.

Ao perceber que alguns chegavam a desistir da profissão e se exonerar do cargo, resolveu ingressar em um curso de administração escolar para tentar compreender a função e os limites de um diretor.

A partir dos estudos realizados e das conversas que teve com diversos professores e funcionários da rede, surgiram reflexões sobre a direção ideal e aquela que se vê no cotidiano escolar.

Trata-se de um livro aparentemente bastante específico, mas cujo tema pode ser aplicado a diferentes relações interpessoais e hierárquicas nos diversos setores da administração pública ou privada.

O livro traz a inédita proposta na literatura pedagógica de investigar o assédio moral realizado por diretores da rede pública estadual do Rio de Janeiro.



Lançamento do livro:

ASSÉDIO MORAL: QUANDO A DIREÇÃO ESCOLAR É UM OBSTÁCULO À PRÁTICA DOCENTE NA REDE PÚBLICA ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO.

DIA: 11/11/2011, das 18h às 21h

Espaço Multifoco : Av. Mem de Sá, 126, Lapa – Rio de Janeiro http://www.editoramultifoco.com.br/

Entrada franca.

Preço do livro: R$ 33,00 (Cartões de débito e crédito são aceitos.)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Procurador Geral da República em GO processa professores inocentes

Procurador Geral da Repúbica em Goiás, o Sr. Ailton Benedito de Souza processa professores por desacato, somente porque os mesmos foram ao MPF-GO denunciar o desvio de verbas do FUNDEB pela prefeitura de Goiânia durante a gestão PMDB-PT. Mais uma vez quem denuncia vira réu e os bandidos os mocinhos da história.


ABAIXO A REPRESSÃO CONTRA OS TRABALHADORES MUNICIPAIS DE EDUCAÇÃO DE GOIÂNIA

A criminalização dos movimentos sociais fazem parte da história do Brasil, recentemente o município de Goiânia escreveu mais uma página nessa triste história, os professores funcionários administrativos, agentes educacionais que iniciaram uma greve em 2010, foram espancados e presos pela guarda municipal, sofrendo processos pela mesma, em que pese que esse professores foram absolvidos das acusações.

No entanto em 2011 as retaliações em relação à greve atingiu a esfera federal, pois o Procurador Geral da República Ailton Benedito de Souza esta processando os professores, funcionários administrativos e agentes educacionais, por desacato a autoridade. Esse fato foi gerado porque um grupo grevista foi recebido no Ministério Público Federal, para cobrar as denúncias a respeito do super faturamento, desvio de verbas federais na prefeitura de Goiânia durante a administração PMDB/PT. No entanto as respostas evasivas do procurador geral, fez com que esse grupo se retirasse. Esse fato foi o que desencadeou a reação de indignação do referido procurador, que abriu um processo federal, no qual coube a polícia federal investigar o fato.

Em que pese que os professores da rede municipal continuem sem receber o piso nacional, fixado pelo próprio governo federal, e que os administrativos continuam recebendo menos que um salário mínimo e também não tem direito a substituição quando ficam doentes ou tiram licenças, os agentes educacionais continuam recebendo como administrativos, no entanto o concurso que fizeram era para professor com magistério. As escolas da rede municipal cada dia que passa estão mais sucateadas, a merenda escolar perde a qualidade dia a dia, no entanto não vemos a atuação do Ministério Público Federal nesses problemas. Quais então seriam os motivos para que o Ministério Público Federal não atuasse na defesa de uma educação pública de qualidade para classe trabalhadora? Por que esses problemas que afetam os filhos da classe trabalhadora não tem a devida preocupação por parte desse órgão? Mas para processar grevistas, para isso que a disposição existe.

No Brasil os denunciantes acabam virando réus, e os que deveriam ser intimados e processados continuam a gozar dos respaldos e privilégios sociais.

Movimento Independente Dos Trabalhadores Em Educação

ATO PELA EDUCAÇÃO FALIDA.

Concentração: 14h, em frente ao CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil).
Data: 10 de novembro.
Todos os professores estão convocados. No dia em que o Estado do Rio de Janeiro vai lutar pelos royalties. Nós professores iremos denunciar a falência da educação pública. Nesse dia será dado ponto facultativos apartir das 14:00 hs em todas as repartições públicas. Não estamos contra os royalties, mas queremos que eles sejam usados na educação como prioridade. Vamos denunciar essa injustiça que é feita contra a educação. PROFESSOR COMPAREÇA SUA PRESENÇA É MUITO IMPORTANTE.


O C.E. Praia do Siqueira convida:

Triste Desabafo...


Gostaria de registrar minha tristeza em ver profissionais do C.M.Rui Barbosa indo embora.

Algumas pessoas aposentam-se e, como numa ordem natural, partem.

Nesses casos, aperta-nos o coração, mas sabemos que o descanso digno, justo, chega e que nov@s colegas vão ocupando o vazio.

Amada, Cecília, Paulo, Cacilda, Eliane, Luiz Américo, Sônia, Dão, Algenir (que ainda está com um pé dentro e outro fora) terminaram sua contribuição com o cansaço que a lida causa, mas com o orgulho inteiro...

Mas, ver Silvana Lima que tantas vezes fez brotar talentos afastada do Rui, ver Nélio que lutou bravamente por um sonho, que tornou mais perto de um pesadelo, e agora Chico, desistindo de nossa escola, corta-me o coração.

Talvez, outros tenham, como eu, a sensação que só restam alguns cacos, mas é preciso coragem... precisamos fazer nosso ânimo ser trazido de volta... tudo que os governos mais desejam é que não restem mais guerreiros nessa trincheira. Será fácil dar o golpe fatal se tivermos frágeis.

Companheiros, colegas, amig@s....não desistamos... lembremo-nos da música: "Tenho orgulho e me chamo Rui Barbosa Rui Barbosa".

Profª Denize

domingo, 6 de novembro de 2011

Plano Nacional de Educação deverá fixar meta de investimento no setor em 8,3% do PIB Brasil


Brasília – Após meses de um intenso trabalho de análise e negociações, o relatório do Plano Nacional de Educação (PNE) está em fase final de elaboração e deve ser apresentado na próxima semana na Câmara. O projeto de lei definirá 20 metas educacionais que o país deverá atingir até a próxima década. Versão preliminar do relatório obtida pela Agência Brasil estabelece que o país deverá aumentar o investimento público em educação dos atuais 5% do Produto Interno Bruto (PIB) para 8,29% nos próximos dez anos.

Esse era um dos pontos mais polêmicos do plano e alvo de boa parte das quase 3 mil emendas que o projeto recebeu. A proposta inicial do governo era de que esse patamar fosse de 7%, mas houve grande pressão dos movimentos sociais para que se ampliasse o percentual para 10%. O relatório do deputado Angelo Vanhoni (PT-PR) encontrou uma solução intermediária para a questão: determina o aumento dos investimentos para 7% do PIB até o quinto ano de vigência do PNE e para 8,29% no décimo ano de vigência do plano.

Durante a tramitação na comissão especial criada para avaliar o PNE, diversos estudos apresentados por entidades e pesquisadores indicavam que 7% seriam insuficientes para atingir todas as metas de melhoria do acesso e da qualidade da educação previstas no plano. Para a deputada Dorinha Rezende (DEM-TO), que faz parte da comissão do PNE, o valor que deve ser estipulado no relatório (8,29%) ainda é pequeno. Os deputados terão direito a apresentar novas emenda ao relatório e ela acredita que o tema será novamente debatido.

“Esse continua sendo o ponto em que no discurso todo mundo é a favor [de mais dinheiro], mas na prática não se efetiva. É preciso entender que os 5% de hoje não estão dando conta de garantir a qualidade, precisamos de um esforço a mais para garantir um bom padrão para todos. Hoje você tem professor ganhando R$ 4 mil e outros que não recebem nem o piso nacional [R$ 1.187]”, defende a deputada.

Na avaliação de Dorinha, o relatório irá tentar conciliar as diversas propostas, mas, para ela, o momento é ideal para estabelecer um pacto por um maior esforço. Ela aponta que, além de aumentar o patamar de investimento, o PNE deve determinar uma maior participação da União nessa conta, que hoje fica em grande parte com estados e municípios. “Isso não quer dizer que daqui a dez anos a gente não possa rever essa meta. Se houver melhoria no sistema poderemos avaliar e entender que os 10% do PIB não são mais necessários. O aluno que repete todo ano, por exemplo, é um dinheiro que a rede de ensino joga fora e se eu consigo melhorar o sistema diminuo os gastos”, pondera.

Além da meta que define o patamar de investimento, outras também sofreram alteração em relação ao projeto enviado ao Congresso pelo Executivo. A de número 11 falava, no texto original, em duplicar as matrículas da educação profissional. O relatório deve trazer a proposta de triplicar o número de estudantes nesta etapa. Já a meta 12 determinava o aumento da taxa de matrícula no ensino superior para 33% na população de 18 a 24 anos. Na nova versão a meta é mantida, mas com uma ressalva: 40% das matrículas devem estar nas universidades públicas. Hoje o setor privado é o responsável pela maioria (75%) dos estudantes do ensino superior.

Boa parte das emendas apresentadas ao PNE foi formulada pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, que participou dos processos de negociação para elaboração da nova versão do projeto. Para o presidente da entidade, Daniel Cara, o relator foi muito aberto ao debate com a sociedade e ao mesmo tempo cumpriu seu papel de negociador dentro do governo. Caso se confirme o percentual de investimento de 8,3% do PIB, Cara avalia que é uma conquista e representa um viés de alta.

“A vantagem é que se estabelece um novo piso de negociação. Não vamos aceitar nada menos do que os 8,3%”, diz. Ele ressalta, entretanto, que a entidade continuará lutando pelos 10% do PIB. Após a apresentação do relatório, os deputados da comissão terão novo prazo de apresentação das emendas. Só depois de aprovado o texto segue para o Senado que só deve iniciar a tramitação do novo PNE em 2012.

Fonte: Agência Brasil

Sepe promoverá palestra sobre o Plano Nacional de Educação no dia 25 de novembro

O Sepe convoca os profissionais de educação para uma palestra sobre o Plano Nacional de Educação, que será realizada no seu auditório (Rua Evaristo da Veita 55 - 7º andar - Centro), a partir das 9h.

Num momento em que entidades representativas da sociedade e dos trabalhadores estão se mobilizando em torno da campanha pelo investimento de 10% do PIB na Educação, inclusive com a realização do Plebiscito Nacional em Defesa da Educação Pública (de 6/11 a 6/12) para consultar a população se ela é favorável ou não ao investimento de 10% do Produto Interno Bruto para alavancar o setor educacional, o debate sobre o Plano Nacional de Educação assume grande importância para esclarecer a categoria sobre o plano e assim poder discutir nas escolas os problemas e as soluções para a educação pública no Brasil.

fonte: SEPE/RJ

sábado, 5 de novembro de 2011

Vamos participar!!



A partir de 6 de Novembro, vote SIM no Plebiscito Nacional pelos 10% do PIB para a Educação Pública Já!

Chegou a hora!
http://dezporcentoja.blogspot.com/

Depois de um ano cheio de lutas e mobilizações de estudantes e professores, de norte a sul do país, chegou a hora de mostrar ao governo federal e governos estaduais que a população brasileira não aguenta mais o descaso histórico com a educação pública. São professores mal remunerados e com péssimas condições de trabalho, estudantes que não recebem uma educação de qualidade e por consequência, os filhos da classe trabalhadora do nosso país tendo péssimas condições de ensino.

O governo de Dilma Roussef iniciou o ano cortando mais de 3 bilhões de reais da Educação e está propondo um novo Plano Nacional que coloca como perspectiva de financiamento o valor que precisávamos há mais de 10 anos!

Com os votos do Plebiscito Nacional, vamos mostrar ao governo Federal que o povo brasileiro quer 10% do PIB para a Educação Pública Já, e não daqui a 7 ou 10 anos!

Com a coleta de votos, vamos envolver toda a população que de alguma forma é afetada com o descaso na Educação Pública brasileira.

Procure no blog os postos de centralização da campanha em cada estado e cidade, aonde vc poderá pegar urnas e materiais para coletar votos em seu local de trabalho ou estudo ou em um local de grande circulação, como as estações de metrô/trem, ou grandes centros urbanos.

É hora de arregaçarmos as mangas e ir para as ruas coletar muitos votos para o Plebiscito Nacional.

Mãos à obra!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Técnicas para a manipulação da opinião pública


Elemento primordial do controle social, a estratégia da diversão consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, graças a um dilúvio contínuo de distrações e informações insignificantes.
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A estratégia da diversão é igualmente indispensável para impedir o público de se interessar pelos conhecimentos essenciais nos domínios da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética.
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"Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por assuntos sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar, voltado para a manjedoura com os outros animais" (extraído de "Armas silenciosas para guerras tranquilas").
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2- Criar problemas, depois oferecer soluções
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Este método também é denominado "problema-reação-solução". Primeiro cria-se um problema, uma "situação" destinada a suscitar uma certa reação do público, a fim de que seja ele próprio a exigir as medidas que se deseja fazê-lo aceitar. Exemplo: deixar desenvolver-se a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público passe a reivindicar leis de segurança em detrimento da liberdade. Ou ainda: criar uma crise econômica para fazer como um mal necessário o recuo dos direitos sociais e desmantelamento dos serviços públicos.
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3- A estratégia do alongamento
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Para fazer aceitar uma medida inaceitável, basta aplicá-la progressivamente, de forma gradual, ao longo de 10 anos. Foi deste modo que condições sócio-económicas radicalmente novas foram impostas durante os anos 1980 e 1990. Desemprego maciço, precariedade, flexibilidade, deslocalizações, salários que já não asseguram um rendimento decente, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se houvessem sido aplicadas brutalmente.
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4- A estratégia do diferimento
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Outro modo de fazer aceitar uma decisão impopular é apresentá-la como "dolorosa mas necessária", obtendo o acordo do público no presente para uma aplicação no futuro. É sempre mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro porque a dor não será sofrida de repente. A seguir, porque o público tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhor amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Finalmente, porque isto dá tempo ao público para se habituar à ideia da mudança e aceitá-la com resignação quando chegar o momento.
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Exemplo recente: a passagem ao Euro e a perda da soberania monetária e econômica foram aceitas pelos países europeus em 1994-95 para uma aplicação em 2001. Outro exemplo: os acordos multilaterais do FTAA (Free Trade Agreement of the Americas) que os EUA impuseram em 2001 aos países do continente americano ainda reticentes, concedendo uma aplicação diferida para 2005.
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5- Dirigir-se ao público como se fossem crianças pequenas
A maior parte da publicidade destinada ao grande público utiliza um discurso, argumentos, personagens e um tom particularmente infantilizadores, como se o espectador fosse uma criança pequena ou um débil mental. Exemplo típico: a campanha da TV francesa pela passagem ao Euro ("os dias euro"). Quanto mais se procura enganar o espectador, mais se adota um tom infantilizante. Por quê?
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"Se se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos de idade, então, devido à sugestibilidade, ela terá, com uma certa probabilidade, uma resposta ou uma reação tão destituída de sentido crítico como aquela de uma pessoa de 12 anos". (cf. "Armas silenciosas para guerra tranquilas" )
6- Apelar antes ao emocional do que à reflexão
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Apelar ao emocional é uma técnica clássica para curtocircuitar a análise racional e, portanto, o sentido crítico dos indivíduos. Além disso, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para ali implantar ideias, desejos, medos, impulsos ou comportamentos...
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7- Manter o público na ignorância e no disparate
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Atuar de modo a que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para o seu controle e a sua escravidão.
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"A qualidade da educação dada às classes inferiores deve ser da espécie mais pobre, de tal modo que o fosso da ignorância que isola as classes inferiores das classes superiores seja e permaneça incompreensível pelas classes inferiores". (cf. "Armas silenciosas para guerra tranquilas" )
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8- Encorajar o público a comprazer-se na mediocridade
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Encorajar o público a considerar "natural" o fato de ser idiota, vulgar e inculto...
9- Substituir a revolta pela culpabilidade
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Fazer crer ao indivíduo que ele é o único responsável pela sua infelicidade, devido à insuficiência da sua inteligência, das suas capacidades ou dos seus esforços. Assim, ao invés de se revoltar contra o sistema econômico, o indivíduo se auto-desvaloriza e auto-culpabiliza, o que engendra um estado depressivo que tem como um dos efeitos a inibição da ação. E sem ação, não há alteração!...
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10- Conhecer os indivíduos melhor do que eles se conhecem a si próprios
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No decurso dos últimos 50 anos, os progressos fulgurantes da ciência cavaram um fosso crescente entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dirigentes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" chegou a um conhecimento avançado do ser humano, tanto física como psicologicamente. O sistema chegou a conhecer melhor o indivíduo médio do que este se conhece a si próprio. Isto significa que na maioria dos casos o sistema detém um maior controle e um maior poder sobre os indivíduos do que os próprios indivíduos.
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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Atenção, professores da Rede Municipal -Cabo Frio

Fiquem ATENTOS!!

Será aberto o REMANEJAMENTO provisório. Temos MUITAS vagas nas escolas centrais, como por exemplo no C.M. Rui Barbosa.

Eu fiquei muitos anos remanejada até a vaga definitiva, que é mais difícil de acontecer.

TODOS que desejam trabalhar no Rui, e em outras escolas no centro, não podem perder o prazo que é minúsculo!!!!!

Serão abertas no dia 07/11 e fechadas em 09/11.

O processo deve ser iniciado no protocolo da Prefeitura.

Dica de boa leitura e troca


Compartilhamos com vocês o blog da professora Dequinha, uma desbravadora da net e dedicada profissional.

Arte e Manhas da Língua

Excelente dica para os professores/admiradores da área!

“O Controle Social na Administração Pública”

Cidadania, mais que uma bela palavra, um antigo conceito com valores para uma convivência harmoniosa entre o ser e todo o seu entorno. É o direito de ter direito, mas com o dever de respeitar os direitos de qualquer ser vivo.
Embora de tamanha importância, seus princípios éticos andam esquecidos e precisam ser divulgados.
Foi pensando assim, que a 20ª Subseção da OAB/RJ, a ACIA – Associação Comercial, Industrial e Turística de Cabo Frio e a ASAERLA – Associação de Arquitetos e Engenheiros da Região dos Lagos decidiram unir forças e trabalhar em prol de um projeto para difundir estes importantes valores junto a sociedade da Região dos Lagos: somar as vozes para poder ECOAR a todos o que é Cidadania.
Para anunciar esta união de esforços, as entidades vem a público convidar a todos para uma palestra com a AMARRIBO - Amigos Associados de Ribeirão Bonito, uma das principais organizações de combate à corrupção no Brasil.
Palestra: “O Controle Social na Administração Pública”
Palestrante: Dra. Lizete Verillo, diretora de combate à corrupção da Amarribo Brasil desde 2003, psicóloga e consultora organizacional com pós-graduação em Administração Organizacional pela PUC– SP e MBA em Gestão Empresarial.
Data: 9 de Novembro de 2011
Horário:
19h
Local:
Branca Confeitaria
Endereço:
Praça Porto Rocha, 15 - Centro - Cabo Frio – RJ

Após a palestra será oferecido um coquetel aos presentes.

As inscrições são limitadas, sua presença deverá ser confirmada por telefone através de um dos seguintes números: (22) 2645-6524 ou (22) 9968-4020.


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Assembleia da Rede Municipal de Cabo Frio



Fonte: SEPE - Lagos
http://blogsepelagos.blogspot.com/

Pá-Pé-Pi-Pó-Ponte


Os educadores dos quatro costados ainda sonhavam com a Escola da Summerhill – aquela da liberdade sem medo – ou com a pedagogia de Paulo Freire quando ouviram dizer que havia um lugar onde tudo isso, e mais um pouco, virara verdade. Na Vila das Aves, no Porto, em Portugal, uma instituição jogada às traças, onde professores, não raro, levavam sovas dos alunos e iam parar no hospital, tinha conseguido o que muitos só haviam prometido.

Veja mais fotos de José Pacheco no Seminário Ler e Pensar de Educação e Leitura

Seu nome é Escola da Ponte. E sua história se divide entre antes e depois de 1976, ano em que um ex-eletricista miudinho e estrábico entrou em sala de aula para “domar” uma turma disposta a pôr tudo abaixo. O verbo pode não ser bem esse. Mas o que se sabe é que o tal homem – José Pacheco, hoje com 60 anos – não só ganhou a parada como arrastou outros profissionais de ensino para suas ideias.

A curiosidade sobre o que acontece lá leva muita gente a cruzar oceanos. Ou a responder “presente” nos inúmeros congressos que só merecem crédito se tiverem Pacheco na lista de convidados. “Me incomoda ter de tratar sempre da Ponte. Prefiro falar do Brasil”, provoca o educador. Há dez anos ele fez de Nova Lima, em Minas Gerais, seu endereço. Dali peregrina pelas divisas da antiga colônia fazendo pontes em mais de uma centena de escolas às quais assessora. “Em algumas escolas que conheço passou a reinar outra vez a música e a felicidade”, festeja.

Na quarta-feira passada, cerca de 2 mil educadores lotaram o Teatro Guaíra para conferir a fala de José Pacheco no Seminário Ler e Pensar, promovido pelo Instituto GRPCom. Para participar, o português impôs uma condição: não daria palestra. Prefere ser entrevistado. “Senão, digo sempre o que já sei dizer”, explica o convidado, cuja fala foi interrompida por uma plateia qual alunos no recreio. Fez barulho como bem quis – rindo e aplaudindo o “Zé da Ponte”.

Zé, poucos de nós cruzaram o oceano para conhecer a Escola da Ponte. Você poderia nos levar até lá pelas suas palavras?

Penso que hoje já não seja necessário atravessar o mar para ver a Escola da Ponte. No Brasil há muitas escolas onde se alcançou algo mais. Mas vou tentar. A Ponte é uma escola da rede pública. Há 36 anos não tinha vidros nas janelas, nem porta, nem banheiro. Muitos dos seus jovens não sabiam nem ler nem escrever. E havia alunos que batiam em professor...

Como no Brasil?

Não, isso é lá em Portugal [risos]... Um grupo de educadores se perguntou o que podia mudar. Traçou grandes metas, mas deu pequenos passos, porque criança não é cobaia. O que se fala da Ponte é o lado exótico – que não tem turma, não tem série, não tem prova, não tem horário, nota ou computador. E que é a melhor escola nas provas nacionais. Mas isso é o que menos importa.

O que deve ter acontecido por lá no dia de hoje [quarta-feira]?

Deixe-me ver: durante a manhã houve um encontro de professores tutores, depois a reunião de um grupo de responsabilidade. À tarde, as crianças foram fazer o que quiseram porque os professores se reúnem toda a tarde de quarta-feira. Talvez lá estejam a essa hora, porque até jantávamos na escola, tanto havia para conversar.

A Escola da Ponte é de fato diferente?

É diferente porque mostrou que os professores são capazes de se emancipar. Quando comecei a trabalhar, ainda estávamos na ditadura de Salazar e eu tinha um salário indigno. Precisava trabalhar numa escola de manhã, noutra à tarde, fazer à noite educação de adultos. Mas na Ponte nós não nos resignamos. Fizemos acontecer. Vejo movimento semelhante no Brasil. Para mudar é preciso pensar por sua cabeça e juntar-se com outros, porque ninguém se salva sozinho. A profissão de professor não é um ato solitário, é um ato solidário.

Se você fosse resumir em uma cena o que se deu na sua escola, qual seria?

Vamos para a educação por duas razões: por amor ou por vingança. [risos] Eu fui por vingança, mas fiquei por amor. Não consegui me vingar. Vingar do quê? Fui aluno de escola pública, excluído e humilhado. Jurei que nenhum aluno meu passaria pelo mesmo. E não conseguia isso. Não entendia como é que eu dava aulas tão bem dadas e eles não aprendiam. Até que na Escola da Ponte me pediram para ficar com a “Turma do Lixo”. Era assim que chamavam alunos de 14-15 anos que batiam nas professoras a ponto de elas irem parar no hospital.

Entrei na sala e perguntei quem sabia ler. Riram. E como a professora tentava lhes ensinar. Disseram que lhes mostrava o “a” de água, o “e” de égua, o “i” de ilha, o ”o” de ovos e o “u” de uva. Que faziam ondinhas do mar com os “ês”. Pus a mão na cabeça e pensei “Zé Pacheco, tu ensinas assim”. [risos] Por isso é que não aprendem.” Foi o primeiro grande clarão.

E o que aconteceu depois?

Descobri que aqueles jovens sabiam ler, mas não sabiam que sabiam. Explico. Eles não tinham dificuldade de aprendizagem. Eu é que tinha dificuldade de ensinagem, porque só sabia ensinar de uma maneira. Um episódio que vivi no Brasil serve para ilustrar.

Visitei uma escola e me colocaram numa salinha com alunos que, dizia-se, não sabiam ler e escrever. Disse-lhes: “Vou mostrar-lhes uns papéis e, se alguém souber ler, levante o braço. Peguei o primeiro papel. Todos leram “Coca-Cola”, depois “Big Brother”, “McDonald’s” e “Toyota” – em japonês. [risos] Disse aos professores: “Estão a ver? Eles sabem ler.”

Na Ponte, foi muito semelhante. Constituímos uma equipe de alfabetização e nenhum aluno deixou de aprender a ler porque demos a cada um o que precisava. A equipe teve de aprender metodologias diferentes. Hoje recebemos inclusive jovens com síndrome de Down e paralisia cerebral. É simples.

Em que você já fracassou como educador?

Quando me perguntam qual é o maior problema, digo que sou eu. Combato-me todos os dias. Meu maior defeito é minha herança educacional, minha tendência em aplicar as experiências que deram certo. Quando vou a uma escola e me perguntam – “o que devemos fazer para melhorar a escola?” – vem-me o monstro da arrogância. Resta-me descobrir junto com os outros. Os outros é que me salvam da “síndrome da Gabriela”: “Eu nasci assim, vou ser sempre assim...” [risos]

Você tem andado por mais de 100 escolas brasileiras. Algo lhe incomoda?

Não quero generalizar, mas as escolas brasileiras seguem uma lógica administrativa e burocrática. Onde a pedagogia não tem lugar, o professor é maltratado. [aplausos]

Como é o Zé diante dos professores?

Pergunto se estão dispostos a recomeçar. Se estão, recomendo que leiam os pilares da Unesco. Eles descobrem que o “aprender a conhecer” não acontece, pois há 14 milhões de analfabetos funcionais. Leem o “aprender a fazer”, o “aprender a ser”, o “aprender a conviver”, mas lembram que professores são assassinados, que há o bullying e xingamento nas escolas.

Depois oferecemos a eles, caso queiram, os grandes pilares da Ponte: tem o “recomeçar” e o “aprender a desaparecer”. [risos] Se o professor não é autônomo como pode ensinar autonomia? Professor não ensina aquilo que diz. Professor transmite aquilo que é. [aplausos]

Temos também de “aprender a desaprender”. Um aluno me perguntava: “Professor, um ser vivo é aquele que nasce, cresce, reproduz-se e morre?” Era o que lhe ensinava o livro didático. Se era assim, ele não se via como um ser vivo. “Não me reproduzi nem morri”, disse-me. [risos]

A última dica é “aprender a desobedecer”. A maioria das leis da educação está errada e contribui para o analfabetismo e para a infelicidade.

Pode dar um exemplo?

Um dia, escutei no rádio: “Pais das crianças que completem 6 anos até o dia 31 de março deverão dirigir-se à escola mais próxima, para matrícula”. Eu, português que pensa devagar, mas pensa, demorei dez minutos, mas imaginei uma gestante, seis anos antes, a jantar no dia 31 de março. Sente as dores e faz força para ter o filho até meia-noite. E não é que o mocinho nasce no dia 1.º de abril? A mãe acabou de condenar o filho a esperar um ano para entrar na escola. Perguntei-me: “Quem foi o jegue que fez esta lei?” [risos e aplausos]

Uma ocasião, eu estava a falar sobre isso, perguntei do jegue e o jegue estava lá. [risos] A lei está respaldada no Conselho Nacional de Educação. Mas não respeito essa lei. Não há uma idade para entrar na escola. Se uma criança pode ler aos 4 anos, por que não aprende aos 4 anos? Por que uma criança que aos 6 anos não tem condições de ler tem de estar naquela turma? Gerações sucessivas estão sendo “analfabetizadas”. Me deixa triste.

O que queria ser quando crescesse? E a quem você deve ser o que é?

Sei o que não gostaria de ser: não queria ser professor. Cursei Engenharia Elétrica e Mecânica. Mas um dia sem mais fui para professor. E há sim uma história à qual devo tudo. Certa vez, estava eu a falar com meu cunhado Paulo, muito mais novo que eu. Ele me disse que tivera um professor que fez dele o que era. E que houve uma professora que era uma cabra. [risos]

O tal professor, disse-me, “tirava-nos os piolhos, cuidava de nós, ensinava de outra maneira, tocava violão, jogava bola. Depois foi embora e veio a cabra. [risos] Só me faltava o retrato físico do tal homem. Paulo disse que era mais ou menos da minha altura, que tinha o cabelo pelas costas, barba, óculos à John Lennon, vinha de jeans e sandália. Ficamos a olhar um para o outro. O professor de quem ele falava era eu.

Podemos fazer uma brincadeira? Dê nota de 1 a 10 para alguns dos itens da escola. O quadro- negro e o giz: Zero [risos]. Merenda: 10. Biblioteca: 10. O portão: Zero. A diretora: 10, porque sofre muito [risos]. O professor? 10 . Não, 11. [aplausos]

Como ser educador numa sociedade de violência?

O que se pode fazer? Tudo, menos o que vejo. Aumenta-se a vigilância, câmaras, castigo. Nada resolve. Ninguém nasce violento. Diz-se das águas dos rios que são violentas. Nada se diz das margens que a comprimem. É de Bertolt Brecht. Se mantivermos esse modelo, a violência de fora torna-se a violência simbólica da escola. Desculpem a arrogância, mas hierarquia não rima com pedagogia. Para conter a violência, teremos de mudar a organização da escola e responsabilizar a comunidade. É preciso uma tribo para educar uma criança.

Dê-nos uma pequena história para lembrar quando colocarmos a cabeça no travesseiro...

Vou lhes dar uma metáfora. “Estava o menino Nelson, subindo a ladeira da escola. Vinha todo sujo. Estava atrasado. Perguntei o que se passava. Disse-me que não conseguira dormir. Sua irmãzinha chorava: os ratos tinham lhe comido a orelha. Quis saber por que tinha então vindo naquele dia. Contou-me que sua vida era triste, mas que quando chegava a hora de vir para a escola, sentia algo cá dentro: “Professor, parece mesmo que o que sinto é alegria”.

Fonte: Gazeta do Povo
http://www.gazetadopovo.com.br/entrevistas/conteudo.phtml?id=1186508