Em
primeiro lugar gostaria de dizer que não somos contra avaliação. O processo de
ensino-aprendizagem tem como base a avaliação.
Segundo Luckesi, ..."a avaliação é uma apreciação QUALITATIVA sobre
dados relevantes do processo de ensino-aprendizagem que auxilia o professor a
tomar decisões sobre o seu trabalho”.
Em outras palavras a avaliação escolar é um
componente do processo de ensino que visa, através da verificação e
qualificação dos resultados obtidos, determinar a correspondência destes com os
objetivos propostos e, daí, orientar a tomada de decisões em relação às
atividades didáticas seguintes.
. Funções da avaliação escolar
a. Didática- pedagógica: refere-se à comprovação sistemática
se as finalidades sociais do ensino, a preparação do aluno para a vida em
sociedade, sua inserção no mundo globalizado e apropriação de condições para a
participação ativa na vida social estão sendo compreendidas, ou os objetivos
estão sendo cumpridos.
b. Diagnóstica: identifica os progressos e as dificuldades do educando e que
permitirá ao educador traçar novas rotas para melhor atingir os objetivos
A etapa inicial, da função diagnóstica da avaliação,
e a sondagem que ao verificar as condições prévias dos alunos, instrumentará o
professor a melhor agir.
A função diagnóstica, ao avaliar a unidade didática
lecionada, o bimestre ou o semestre cumprido, ou até o ano letivo, cumpre sim
uma função de realimentação do processo de ensino, pois corrige as falhas desse
processo, ou deveria corrigi-las.
c. Controle: refere-se aos meios e à freqüência em que as verificações (de
certo modo avaliações) soa feitas, resultando no diagnóstico do cotidiano
escolar.
O termo controle diz respeito à periodicidade e como
são feitas as avaliações e se essa não tiver associada à função diagnóstica e
didático-pedagógica da avaliação, ficará restringida à simples tarefa de
atribuição de notas e classificação.
Professores que ainda reduzem as avaliações à cobrança daquilo que o aluno
memorizou e usa a nota obtida pelo aluno somente como instrumento de controle
(usada aqui com o seu significado mais primitivo que é o de controlar
propriamente dito) produz afirmações falsas como:
- “O professor X é excelente, reprova mais da metade da classe”; “O ensino
naquela escola é muito puxado, poucos alunos conseguem aprovação”. O pior é
quando o professor acha que tem o poder de aprovar ou reprovar. Tudo isso são
equívocos do ensino.
Avaliação como recompensa aos “bons” alunos e punição para os desinteressados
ou indisciplinados, onde as notas transformam-se em armas de intimidação,
dispensa, por parte do professor, de verificações parciais no decorrer das
aulas e a recusa de qualquer quantificação dos resultados, através das usuais
provas, que conforme alguns educadores, levam à ansiedade, à inibição e ao
cerceamento do crescimento pessoal do aluno, são equívocos que deveriam ser
evitados para que a avaliação tenham efeitos positivos no processo ensino e
aprendizagem.
. Características da Avaliação Escolar:
a. Reflete a unidade: “objetivo/conteúdo/método: o aluno precisa saber para o
que estão trabalhando e no que estão sendo avaliados e quais serão os métodos
utilizados.
b. Revisão do plano de ensino: ajuda a tornar mais claro os objetivos que se
quer atingir, onde o professor à medida que vai ministrando os conteúdos vai
elucidando novos caminhos, ao observar os seus alunos, o que possibilitará
tomar novas decisões para as atividades subseqüentes.
c. Desenvolve capacidades e habilidades: uma vez que o objetivo do processo
ensino e aprendizagem é que todos os alunos desenvolvam as suas capacidades
físicas e intelectuais, sua criticidade para a vida em sociedade
d. Ser objetiva: deve garantir e comprovar os conhecimentos realmente
assimilados pelos alunos, de acordo com os objetivos e os conteúdos
trabalhados.
e. Promove a autopercepção do professor: permite ao professor responder
questões como: Os meus objetivos são claros? Os conteúdos são acessíveis,
significativos e bem dosados? Os métodos são os mais apropriados aos meus
“clientes”? Auxilio bem os que apresentam dificuldades de aprendizado?
Concluindo, avaliação é um processo que possibilita
um ganho enorme para o processo ensino e aprendizagem, uma vez que, tanto o aluno
e a instituição escolar envolvidas, terão a possibilidade de corrigir os seus
rumos, melhorando a eficiência e a eficácia do ensino em geral."(1)
Portanto, o que questionamos não são as avaliações em si, mas a forma com são
propostas atualmente.
Pois bem, a SEEDUC-RJ, propõe a avaliação externa
como uma forma de diagnosticar os problemas que levaram o Rio de Janeiro ao
penúltimo lugar no IDEB e de corrigir as possíveis falhas através de um Plano
de Metas. Seria louvável se isto não representasse um mecanismo para mascarar
os reais problemas que assolam a educação estadual. E porque digo isto?
Primeiro, porque não houve uma ampla discussão com os profissionais de ensino
sobre o assunto. O plano foi criado de cima para baixo. Segundo,tem como base,
a implementação de um modelo meritocrático, porque está atrelado a um sistema
de bonificação que (não funciona e nunca funcionou em educação) gera
disparidades e injustiças, na medida em que o Estado não se mostrou competente
para realizar tais avaliações e se confunde com política salarial desvantajosa
para os profissionais. Terceiro, que para avaliar é preciso criar condições e
diretrizes do que se pretende. Pergunte a qualquer professor quais são os
principais problemas atuais em nossa rede de ensino...baixos salários, deficit
de professores, falta de projeto político-pegagógico, escolas com problemas de
infra-estrutura, falta de continuidade dos projetos que funcionam, salas
superlotadas, violência, carga horária insuficiente, etc. A grande maioria dos
problemas estão relacionados ao próprio papel de nossos governantes e
"gestores" que insistem em andar na contra-mão do que apontam os
profissionais da educação. Enfim, o modelo criado para "salvar" a
educação de nosso estado sem o suporte necessário para que isto ocorra, está
longe do que seria o ideal. Então aproveito aqui, para apresentar o PLANO DE
METAS elaborado pelos profissionais da Educação:
"META 1: NENHUMA CRIANÇA SEM ESCOLA:
. Construção de escolas e garantia de atendimento em todas as etapas de ensino.
. Diminuição do número de alunos por turma (20 alunos nas séries iniciais, 25
nas demais).
META 2: NENHUM ALUNO SEM PROFESSOR:
. Concurso imediato para todas as disciplinas.
. Retorno imediato da matriz de 30 tempos e ampliação gradativa da grade
curricular.
. Ampliação gradativa do horário de permanência dos alunos na escola
META 3: NENHUM PROFISSIONAL DESVALORIZADO.
. Valorização salarial e profissional.
. Antecipação de todas as parcelas da Incorporação do Nova Escola.
. Reajuste emergencial de 26%.
META 4: NENHUM PROFESSOR SEM ESCOLA.
. Lotação dos professores em apenas uma escola.
. Fim da perda da lotação por motivo de licença médica.
. Lotação dos Docentes II sem perda de direitos.
META 5: NENHUMA ESCOLA SEM FUNCIONÁRIO.
. Concurso imediato para funcionários administrativos.
. Fim da terceirização.
. Revisão do quantitativo de funcionários, respeitando o tamanho e o número de
alunos de cada 4
unidade.
. Normatização das tarefas de cada setor administrativo
. Pagamento imediato dos enquadramentos por formação do magistério
. Pagamento imediato do adicional de qualificação para todos os professores.
. Garantia do direito à licença-prêmio.
META 6: NENHUM PROFISSIONAL SEM DIREITO À FORMAÇÃO.
. Licença remunerada para estudos
. Convênios com Universidades públicas para formação continuada de professores
e funcionários
META 7: NENHUMA ESCOLA SEM ESTRUTURA.
. Construção de quadras poliesportivas em todas as escolas
. Construção de bibliotecas em todas as escolas
META 8: NENHUMA EDUCAÇÃO SEM DEMOCRACIA.
. Processo de escolha do dirigente escolar através de consulta direta
. Garantia de grêmios livres
. Autonomia das equipes pedagógicas para criação\implementação dos Projetos
Pedagógicos
META 9: NENHUM EDUCADOR DISCRIMINADO.
. Ato de Investidura para os Animadores Culturais.
. Paridade para Aposentados.
Texto
publicado pela Profª. Sandra Borges no site na SEEDUC em 27 de junho de 2011