Na Luta pela Escola Pública

Este blog pretende criar um espaço para informações e discussões sobre Escola Pública na Região dos Lagos, com destaque para o município de Cabo Frio.

O nome “Pó de Giz” é tomado, por empréstimo, do antigo time de futebol dos professores do Colégio Municipal Rui Barbosa. Um colégio reconhecido por sua luta pela educação pública de qualidade. Um lugar onde fervilha a discussão educacional, política e social. Colégio que contribui de maneira significativa na formação de seus alunos, lugar onde se trabalha com o sentido do coletivo.

O " Pó de Giz" é uma singela homenagem a essa escola que tem um "pequeno" espaço educacional, mas corajoso e enorme lugar de formação cidadã.


quinta-feira, 14 de julho de 2011

Quem é que vai pagar por isso????


“Quem perde são os alunos, diz Risolia”. (site da seeduc) E perde mais ainda se eles forem sustentados pelo salário dos profissionais de educação do estado do Rj, dizemos nós. Nós, os educadores da Rede Estadual do RJ , é que podemos falar de perdas e danos na cidade partida dos megas eventos: megas desvios de verbas públicas, megas farsas de planos de metas, megas parcerias suspeitas, mega falta de vergonha na cara!

Há décadas, sabemos o que são as perdas na educação por falta de políticas públicas comprometidas com a classe trabalhadora desse país e especificamente do RJ. Há anos, os trabalhadores da educação diagnosticaram os problemas na educação, apresentamos soluções para resolvê-los e fomos ignorados em nome de interesses mesquinhos e vergonhosos.

Não podemos nos calar diante de mais essa provocação do secretário de educação quando, numa atitude covarde, pretende culpabilizar mais uma vez os profissionais da educação pelas perdas dos alunos das escolas públicas do governo do Senhor Sérgio Cabral. A quem pensa que engana com essa atitude oportunista, amadora e mentirosa!

Como aluna de escola pública, universidade pública e professora dessa mesma escola conheço de perto as perdas num país que nunca privilegiou a educação da população como capital cultural. Se quer falar das perdas, senhor secretário, olhe o contracheque de um professor com pós graduação, vários cursos de capacitação, mais de 17 anos de magistério e não esqueça de olhar também seu prontuário médico.

As perdas dos meus alunos são tão cruéis como as minhas de anos de magistério numa terra de parasitas. Falo das perdas na escola pública sem esquecer dos ganhos que conquistamos nessa mesma escola. Foi nela que aprendi a coragem, que aprendi a lutar por aquilo que é justo. Ao longo da semana, correndo escolas, fiquei muito emocionada ao lembrar onde começou minha militância.

Ao chegar no Colégio Guilherme Briggs disse o seguinte: Companheiros do Colégio GB, foi nessa escola que comecei a aprender a coragem e a me fazer militante! Como se um filme tivesse me atravessado percebi que as perdas não podem ser vistas sem os ganhos. Espero que meus alunos aprendam a coragem que a lição da greve da educação está transmitindo quando mostramos que não abaixamos a cabeça diante dos desmandos dos que parecem mais fortes. Espero, sinceramente, que, quando voltar para sala de aula cansada mas com a cabeça erguida, possa dizer de como é difícil - mas muito necessário - apostar na força das boas razões que deve mover nossas vidas para que elas valham a pena.

E sobre a reposição das aulas, senhor secretario, há coisas que nunca poderemos repor porque há perdas que são irreparáveis. Mas podemos garantir que o que for possível fazer para ajudar a diminuir as perdas de nossos alunos na escola pública do estado do RJ, faremos. Nossa é a defesa da escola pública de qualidade, nós somos os responsáveis - há décadas - pela sobrevivência de uma escola que tentam, com os mesmos planos de metas, destruir.

“O aluno deve ter seu direito à escola assegurado.” Essa fala é nossa e nossa greve defende esse princípio. Na voz do governo é apenas discurso vazio porque não tem sentido num Estado que não respeita deveres primários como a lisura com a verba pública. Os profissionais de educação também devem ter seus direitos assegurados, que tal começarem a cumprir o dever de um Estado responsável, democrático e ético?

Ninguém conseguirá jamais repor aquilo que se perdeu, todavia podemos evitar que se perca tudo, inclusive a dignidade. É nesse espaço que experimentamos a possibilidade de transformar nossas perdas em oportunidades de novas aprendizagens. Isso é resistir é ousar dizer não ao que parece impossível de mudar. Nós pagamos caro pela luta, outros terão que pagar pela covardia, pela desonestidade, pela deslealdade, por não ter feito algo (honesto) quando foi a sua vez. Eu sei de que lado quero está, isso me dá forças para continuar apostando... é a vida é bonita e é bonita....

Desculpem o desabafo é que talvez o cansaço, a lua cheia,talvez um desânimo passageiro .. a saída do 5º andar da Seeduc, a vida,... blá,blá,..

Profª Eliana

Um comentário:

  1. Recomendo aos amigos um artigo sobre a situação da educação no Brasil, sobretudo a omissão dos SEPEs nesse aspecto. Sempre ouvimos campanhas salariais com greves e mais greves. Mas quantos cursos os sindicatos de professores realizam por ano? Será que toda a arrecadação serve para a política? É por aí. A politização da categoria é mais válida que o aperfeiçoamento profissional.

    Segue abaixo um excelente artigo que retrata um pouco dos equívocos da arte de ensinar no Brasil.

    Como sempre a reinvidicação por melhores salários, mas a qualidade do profissional continua péssima.
    A EDUCAÇÃO DE MENTIRA: Como o Brasil está trocando conhecimento por ideologia
    Quem tem medo da democracia.com Dias trágicos estamos vivendo hoje na educação pública brasileira. Notícias que chocam o cidadão leigo se sucedem dia após dia. Já acostumados a ver as crianças aprovadas automaticamente nas escolas e analfabetos funcionais se formando no segundo grau, agora nos deparamos com novos absurdos...

    http://quemtemmedodademocracia.com/colunas/non-abbiate-paura/a-educacao-de-mentira/

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